Equipe brasileira encerra a travessia antártica e retorna ao acampamento, na geleira Union, onde prepara as amostras coletadas para a viagem.

Travessia Antártica 2015: final do trecho, mas trabalho segue no continente gelado

 

Dias 15 e 16  de janeiro

18:30 horas

 

Condições meteorológicos excelentes, então decidimos partir imediatamente para o acampamento base na geleira Union. Em linha reta, estamos a menos de 300 km de distância, mas teremos que atravessar as montanhas Ellsworth no caminho, e atravessar um campo de fendas. Além disso, desceremos de 2120 metros para 720 metros. E é claro, encerramos nossas amostragens de neve superficial.

 

As condições meteorológicas e da neve perfeitas permitem avançarmos rapidamente, às vezes a mais de 50 km por hora, em algumas partes em até 70 km por hora. Sem dúvida, o transporte com estes veículos está revolucionando a logística polar!

 

Navegamos toda a madrugada, geralmente acima dos 2000 m, continuando nossa amostragem a cada 10 km. As 6:00 da manhã do dia 16 chegamos ao início do passagem Hewett, que dá acesso a cadeia Heritage das montanhas Ellsworth. Montamos nossas barracas e alguns dormiram nos veículos, tínhamos que esperar a chegada de dois guias da Antarctica Logistics Expeditions (ALE) que já conheciam o passo, os primeiros 2 km atravessam uma área com muitas fendas e só é possível passar pela área seguindo um corredor de cerca de 8 m de largura e que já está demarcado.

 

Às 11 horas, os dois guias chegaram de motos de neve e atravessamos o passo, seguindo 80 km entre as montanhas, descendo de 1700 para 720 metros no trajeto.

 

A travessia estava completas às 15:30, quando chegamos ao acampamento base da geleira Union.

A missão foi de total sucesso! Atravessamos 1400 km do manto de gelo da Antártica Ocidental coletando 110 m de testemunhos de gelo e dezenas de amostras superficiais para análise ambiental, levantamos o provável local onde instalaremos o módulo Criosfera 2 (onde acampamos nos últimos 4 dias) e ainda no último dia marcamos a rota para o transporte desse módulo, desde a pista de aterrissagem no gelo azul na geleira Union, até o monte Johns (para o próximo verão austral). Isso tudo rapidamente e sem enfrentarmos muitos riscos (graças à boa navegação, usando imagens visuais e de radares satelitais).

 

O trabalho não encerra aqui. Nos próximos 3 dias temos que preparar o transporte dos testemunhos de gelo que seguirá para Universidade do Maine (EUA) em câmara frigorífica e o material científico e de acampamento que embarcarão em um dos navios da Marinha do Brasil na cidade de Punta Arenas.